HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO EM SAÚDE MENTAL: PRÁTICAS NO CAPS AD
DOI:
https://doi.org/10.56238/bocav25n74-021Palavras-chave:
Cuidado em Liberdade, Humanização do Cuidado, Centro de Atenção Psicossocial, Cuidado Relacional, Reforma PsiquiátricaResumo
Este artigo tem como tema a humanização do cuidado em saúde mental no contexto de um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD) e tem como objetivo analisar os sentidos e manifestações da humanização nas práticas cotidianas do serviço, a partir das percepções de profissionais e usuários. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, com inspiração etnográfica, desenvolvida em um CAPS AD localizado no município de Vitória da Conquista, Bahia. A produção dos dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas realizadas com três profissionais e dois usuários, associadas à observação direta do cotidiano institucional, com registros sistemáticos em diário de campo. A análise dos dados seguiu uma perspectiva interpretativa, inspirada na Análise de Conteúdo (BARDIN, 2011), envolvendo as etapas de pré-análise, codificação, categorização e interpretação. Os resultados evidenciam que a humanização do cuidado se expressa na organização física e simbólica do espaço institucional, nas práticas de cuidado em liberdade, na construção de vínculos por meio do acolhimento e da educação em saúde, que favorece a convivência, a participação e a corresponsabilização dos usuários. Conclui-se que a humanização no CAPS AD se constitui como um processo ético, relacional e político, produzido no cotidiano das interações, das práticas de cuidado e dos dispositivos institucionais que reconhecem os sujeitos em sua singularidade e autonomia.
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