A UNIVERSIDADE VAI AO QUILOMBO: O PROGRAMA DE INTERIORIZAÇÃO QUILOMBOLA (PIQ) NO TORRÃO DO MATAPI/AP NAS VOZES DE ACADÊMICOS DO CURSO DE PEDAGOGIA
DOI:
https://doi.org/10.56238/bocav24n73-023Palabras clave:
Ensino Superior, Formação de Professores, Quilombo Torrão do Matapi/APResumen
O presente artigo analisa o Programa de Interiorização Quilombola (PIQ) da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) no contexto da Comunidade Quilombola Torrão do Matapi, estado do Amapá, a partir das percepções de acadêmicos do curso de Pedagogia. A investigação buscou compreender como estudantes quilombolas interpretam os processos que possibilitaram seu acesso e permanência no ensino superior, considerando os desafios e potencialidades dessa política pública. O objetivo geral consistiu em analisar as percepções desses acadêmicos acerca das condições de ingresso e continuidade na formação universitária, tendo como objetivos específicos contextualizar a atuação do movimento social negro na implantação do PIQ, descrever o percurso de implementação do programa na formação inicial de professores voltada à Educação Escolar Quilombola e compreender as experiências dos estudantes no curso de Pedagogia ofertado no território. A pesquisa configurou-se como um estudo de caso, de abordagem qualitativa. O percurso metodológico envolveu análise documental referente ao PIQ e ao curso de Pedagogia, bem como a aplicação de questionários com questões semiestruturadas, visando dar visibilidade às percepções dos acadêmicos sobre acesso, permanência, formação e continuidade no ensino superior. Os dados foram analisados por meio da Análise de Conteúdo, em diálogo com o referencial teórico sobre educação quilombola, identidade, relações étnico-raciais, racismo e ações afirmativas. Os resultados indicam que o PIQ é compreendido como instrumento de reparação histórica e transformação social, cuja efetividade depende da continuidade das políticas, do fortalecimento do suporte institucional e da valorização da identidade quilombola no currículo, evidenciando a presença quilombola na universidade como conquista coletiva e prática de resistência.
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