ASPECTOS TÉCNICOS E SOCIAIS DO CUIDADO FARMACÊUTICO EM INDIVÍDUOS PORTADORES DE DOENÇAS NEURODEGENERATIVAS AUTOIMUNE, COM ÊNFASE NA ESCLEROSE MÚLTIPLA
DOI:
https://doi.org/10.56238/bocav25n74-005Palavras-chave:
Esclerose Múltipla, Equipe Multidisciplinar, Cuidado Farmacêutico, Assistência Farmacêutica, Farmácia Clínica, Atenção Básica à Saúde, Doenças Autoimune, Tratamento da Esclerose Múltipla, Adesão ao Tratamento e Qualidade de VidaResumo
A autoimunidade é uma resposta imune específica contra um antígeno ou uma série substâncias que pode ser própria do indivíduo ou não. O sistema imune tem como função principal diferenciar antígenos estranhos dos elementos próprios presentes nos diferentes tecidos. Uma síndrome provocada por lesão tissular ou um mau funcionamento do sistema imunológico resultantes de uma resposta autoimune refere-se à Doença Autoimune. A esclerose múltipla é uma doença autoimune, desmielizante, crônica que afeta o Sistema Nervoso Central. A doença acomete pessoas jovens, entre 20 e 40 anos podendo ser diagnosticada em crianças e provoca dificuldades motoras e sensitivas. Os sintomas variam de acordo com o paciente, com a área acometida de desmielização e o grau da doença. O diagnóstico é basicamente clínico e laboratorial, e é importante para diferenciar a EM de diversas doenças que possuem sintomas semelhantes. Os medicamentos modificadores da doença é o tratamento mais relevante da Esclerose Múltipla, que pretendem delongar a progressão e a incapacidade em longo prazo e são fornecidos pelo Ministério da Saúde. O conhecimento do paciente em relação à EM é importante para o bem-estar do paciente e melhor aceitação ao tratamento. Cabe a uma equipe multidisciplinar dar suporte ao paciente, melhorando suas condições de vida e orientando sobre os conhecimentos que devem ter sobre a EM. O farmacêutico deve participar no acompanhamento das medicações evitando o abandono e orientado todo o processo para conseguir a adesão ao tratamento. O presente trabalho tem como objetivo promover uma ampla discutição sobre a essencialidade da Assistência Farmacêutica em indivíduos portadores de doenças neurológicas autoimune com ênfase na esclerose múltipla. Para a elaboração deste trabalho foi realizada revisão literária em sites governamentais, revistas, artigos e dissertações. Foi realizado um questionário aplicado às pessoas com EM e farmacêuticos formados e atuantes com 11 questões cada. Nos resultados obtidos a maioria dos indivíduos participantes do questionário possuem ensino superior completo, moram no estado do Rio de e possuem o diagnóstico de esclerose múltipla de 5 a 10 anos. Os medicamentos mais usados são o Fingolimode e Natalizumabe. A maioria não interrompeu o tratamento e os que interromperam foi pela interrupção no fornecimento da medicação e a troca desta. Grande número dos pacientes são atendidos pelo SUS, sendo um pequeno número que já foi acompanhado por um farmacêutico. A maioria dos farmacêuticos que responderam ao questionário possuem mais de 10 anos de formação ,73% já atenderam paciente de EM de alguma forma, e a maioria acham que pode melhorar a atenção farmacêutica tendo mais informações sobre doenças autoimune, inclusive quanto a associação da EM com a depressão, mas necessitam um maior aprofundamento no assunto. Acreditam que é possível fazer um monitoramento farmacêutico dos pacientes que fazem o uso de medicações para esclerose múltipla e outras doenças autoimunes. Concluiu-se que de acordo com as questões levantadas aos pacientes e farmacêuticos, podemos observar que a maioria dos pacientes querem o tratamento e pouquíssimos foram atendidos pelos farmacêuticos, embora os farmacêuticos reconhecem pouca informação sobre o assunto.
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