A TRANSIÇÃO ESCOLAR A PARTIR DA PERSPECTIVA DE EDUCADORES BAIANOS: A GANGORRA ENTRE O BRINCAR E A ALFABETIZAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.56238/bocav25n74-017Palavras-chave:
Alfabetização, Brincar, Educação Infantil, Ensino Fundamental, Transição EscolarResumo
Esta pesquisa analisou criticamente a compreensão de educadores acerca da transição da Educação Infantil (EI) para o Ensino Fundamental (EF) em redes públicas baianas. O problema investigado foram as descontinuidades que afetam essa transição, especialmente a polarização entre o brincar e a alfabetização. Para isso, foi conduzido um estudo qualitativo exploratório com 27 educadores dos municípios de Iraquara, Seabra e Souto Soares (BA). Os dados foram produzidos por meio de análise documental, questionário online, grupos focais e entrevistas, sendo analisados segundo a técnica de Análise de Conteúdo. Os resultados indicam disputas epistêmicas entre os segmentos, gerando rupturas curriculares e pedagógicas, metaforicamente nomeadas de “fenômeno da gangorra da transição”. As principais tensões residem na instrumentalização do brincar no EF e na pressão por alfabetização precoce na EI. Conclui-se que o equilíbrio dessa transição exige práticas didático-pedagógicas alinhadas a políticas públicas e formativas, que respeitem a criança e a infância, em diálogo constante com experiências e perspectivas internacionais sobre o tema.
Referências
ABEBE, T.; DAR, A.; LYSÅ, I. M. “Southern theories and decolonial childhood studies”. Childhood, vol. 29, n. 3, ago., 2022. DOI: https://doi.org/10.1177/09075682221111690
ALMEIDA, E. C. S.; SOARES, L. F.; ZEN, G. C. “Sociologia da Infância no Período de 2004 a 2012: algumas contribuições para a Educação Infantil”. In: BASTOS, L. M. (org.). Temas Essenciais na Educação Infantil. Salvador: EDUFBA, 2022.
ALMEIDA, A. M. A socialização da criança na escola. São Paulo: Cortez, 2000.
ARIÈS, P. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. BARBOSA, M. C. S. “O que pensam as crianças sobre o ensino fundamental de nove anos”. Pátio Educação Infantil, vol. 1, n. 3, out., 2006.
BARBOSA, M. C. S. “Culturas escolares, culturas de infância e culturas familiares: as socializações e a escolarização no entretecer destas culturas”. Educação & Sociedade, Campinas, vol. 28, n. 100, out., 2007. DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-73302007000300020
BARBOSA, M. C. S. “Culturas infantis e as crianças nas escolas”. Educação & Realidade, Porto Alegre, vol. 39, n. 3, jul./set., 2014.
BARBLETT, L.; KNAUS, M.; BARRATT-PUGH, C. “The Pushes and Pulls of Pedagogy in the Early Years: Competing Knowledges and the Erosion of Play-based Learning”. Australasian Journal of Early Childhood, vol. 41, n. 4, 2016. DOI: https://doi.org/10.1177/183693911604100405
BARDIN, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2009.
BICUDO, M. A. V. “Contribuição da Fenomenologia para a educação”. In: BICUDO, M. A. V.; CAPPELLETTI, I. F. (org.). Fenomenologia: uma visão abrangente da educação. São Paulo: Olho D’água, 1999.
BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 dez. 1961. Disponível em: < www.planalto.gov.br>. Acesso em: 06 out. 2022.
BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 ago. 1971. Disponível em: < www.planalto.gov.br>. Acesso em: 08 out. 2022.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil. Brasília, DF: MEC, 2006.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. O Ensino Fundamental de Nove Anos: orientações para a inclusão de crianças de seis anos de idade. Brasília, DF: MEC, 2007.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Básica (CNE/CEB). Resolução nº 7, de 14 de dezembro de 2010. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 dez. 2010. Disponível em: . Acesso em: 13 dez. 2022.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 2022. Disponível em: < www.planalto.gov.br>. Acesso em: 10 ago. 2022. BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília, DF: MEC, 1998.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais Para a Educação Infantil. Brasília, DF: MEC, 2010. Disponível em: . Acesso em: 05 abr. 2022.
BRASIL. Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017. Diário Oficial da União, seção 1, Brasília, DF, 22 dez. 2017. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2022.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017. Disponível em: . Acesso: 10 mar. 2022. BRONFENBRENNER, U. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos em ambientes naturais e planejados. Porto Alegre: Artmed, 1997. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-79721997000200013
CANDA, C. N.; SOARES, L. da F.; ZEN, G. C. “Vozes, sentidos e experiências na extensão universitária: o que dizem as crianças sobre o brincar”. Práxis Educacional, Vitória da Conquista, vol. 14, n. 30, out./dez., 2018. DOI: https://doi.org/10.22481/praxis.v14i30.4375
CARVALHO, A. P. T.; BATISTA, P. B. S. “Um olhar sobre a criança e seu direito ao acesso à linguagem escrita na Educação Infantil”. Revista Brasileira de Educação Básica, Belo Horizonte, vol. 2, n. 3, set./dez., 2017.
CASALS, S. De la escuela al trabajo: transiciones juveniles en Europa. Madrid: Morata, 1996. CHEVREL, Y. Le statut de l'enfant dans la littérature et les pratiques éducatives. Paris: L'Harmattan, 1998.
COHN, C. Antropologia da criança. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. COROMINAS ROVIRA, E.; BARADO ISÚS, S. “Transiciones y Orientación”. Revista de Investigación Educativa, Barcelona, vol. 16, n. 2, 1998.
CORSARO, W. A. Sociologia da Infância. Porto Alegre: Artmed, 2011.
CORSARO, W. A. The sociology of childhood. Thousand Oaks, CA: Pine Forge Press, 1997. DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. “Introdução: a disciplina e a prática da pesquisa qualitativa”. In: DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. (org.). O planejamento da pesquisa qualitativa: teorias e abordagens. Porto Alegre: Artmed, 2006.
FAGUNDES, C. V. “Transição Ensino Médio–Educação Superior: Qualidade No Processo Educativo”. Educação Por Escrito, Porto Alegre, vol. 3, n. 1, jul., 2012.
FERREIRO, E. Reflexões sobre alfabetização. São Paulo: Cortez, 2011.
FERNANDES, M. L. B.; DIAZ, D. A. B.; COELHO, C. M. M. “INFÂNCIA E PANDEMIA: O DIÁLOGO COMO PRINCÍPIO TEÓRICO-METODOLÓGICO NA PESQUISA COM CRIANÇAS”. Boletim de Conjuntura (BOCA), Boa Vista, vol. 16, n. 47, nov., 2023.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
FREIRE, P. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2003.
FURLANETTO, E. C.; MEDEIROS, A. S.; BIASOLI, K. A. “A transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental narrada pelas crianças”. Revista Diálogo Educacional, vol. 20, n. 66, set., 2020. DOI: https://doi.org/10.7213/1981-416X.20.066.DS13
GALLAGHER, S.; STOBBS, N. “Creating hope in dystopia: Utopia as Method as social pedagogy in Early Childhood Studies”. International Journal of Social Pedagogy, vol. 12, n. 1, fev., 2023. Disponível em: . Acesso em: 18 dez. 2025. DOI: https://doi.org/10.14324/111.444.ijsp.2023.v12.x.005
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2008.
GIMENO SACRISTÁN, J. El alumno como invenção. Madrid: Morata, 2003.
JAMES, A.; JENKS, C.; PROUT, A. Theorizing childhood. Cambridge: Polity Press, 1997. JENSEN, C. Enhancing Child Development Using Play in the K-5 Curriculum. Northwestern College, Iowa, 2024. (Capstone Project: A School Improvement Plan). Disponível em: . Acesso em: 19 dez. 2025.
KRAMER, S. “Alfabetização na pré-escola: exigência ou necessidade”. Cadernos de Pesquisa, n. 52, jan., 1985.
KRAMER, S. “A infância e sua singularidade”. In: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão de crianças de seis anos de idade. Brasília, DF: MEC, 2007.
KRAMER, S. Por entre as pedras: a arte e o ofício de educar. São Paulo: Ática, 1995.
KRAMER, S. “Educação infantil e ensino fundamental: dez anos de políticas e pesquisas para uma articulação necessária”. In: BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão de crianças de seis anos de idade. Brasília, DF: MEC, 2006.
KREMER, C; BARBOSA, M. C. S. “Culturas infantis e aprendizagens das crianças pequenas na pré-escola”. Revista Teias, Rio de Janeiro, vol. 22, n. 67, nov., 2021. DOI: https://doi.org/10.12957/teias.2021.53442
KUHLMANN JÚNIOR, M. Infância e educação infantil: uma abordagem histórica. Porto Alegre: Mediação, 2000.
LERNER, D. Ler e Escrever na Escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002.
LIU, R. Y. “Constructing Childhood in Social Interaction: How Parents Assert Epistemic Primacy over Their Children”. Social Psychology Quarterly, vol. 86, n. 1, mar., 2023. LUCKESI, C. “Ludicidade e atividades lúdicas uma abordagem a partir da experiência interna”. [S. l.: s. n.], 2005. Disponível em: . Acesso em: 12 abr. 2022. MALAGUZZI, L. As cem linguagens da criança: a abordagem de Reggio Emilia na educação da primeira infância. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001. DOI: https://doi.org/10.1177/01902725221130751
MARCHI, R. C. “A sociologia da infância: conceitos e tendências”. Cadernos de Pesquisa, vol. 39, n. 138, 2009.
MIGNOLO, W. D. “Epistemic disobedience, independent thought and decolonial freedom”. Theory, Culture & Society, vol. 26, n. 7-8, 2009. DOI: https://doi.org/10.1177/0263276409349275
MINAYO, M. C. S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2001. MORGAN, D. L. Focus Groups as Qualitative Research. Thousand Oaks, CA: Sage Publications, 1997.
NASCIMENTO, A. C.; ZEN, G. C. “A ordem das letras na produção escrita: o que dizem crianças em processo de alfabetização”. Boletim de Conjuntura (BOCA), vol. 17, n. 49, jan., 2024.
ORGANISATION FOR ECONOMIC CO-OPERATION AND DEVELOPMENT (OECD). Starting Strong V Transitions from Early Childhood Education and Care to Primary Education. Paris: OECD Publishing, 2017. Disponível em: < read.oecd-ilibrary.org>. Acesso em: 20 dez. 2025.
PROUT, A. The Future of Childhood Revisited. London: Routledge, 2010.
QAMAR, A. H. “Social value of the child in the global south: A multifaceted concept”. Journal of Early Childhood Research, vol. 20, n. 4, nov., 2022. DOI: https://doi.org/10.1177/1476718X221089581
QUIJANO, A. “Colonialidad del poder, eurocentrismo y América Latina”. In: LANDER, E. (org.). La colonialidad del saber: eurocentrismo y ciencias sociales. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
SARMENTO, M. J. “O século XXI: para uma sociologia da infância”. In: SARMENTO, M. J.; PINTO, M. (Org.). As crianças: contextos e identidades. Braga: Centro de Estudos da Criança, Universidade do Minho, 2001.
SARMENTO, M. J. “A Reinvenção do Ofício de Criança e Aluno”. Atos de Pesquisa em Educação, Blumenau, vol. 6, n. 3, set./dez., 2011.
SARMENTO, M. J.; PINTO, M. (Org.). As crianças: contextos e identidades. Braga: Centro de Estudos da Criança, Universidade do Minho, 1997.
SARMENTO, M. J. “A infância e a adultez: a distinção entre as gerações”. Educação & Sociedade, Campinas, vol. 28, n. 100, out., 2007.
SAVELI, E. D. L.; SAMWAYS, A. M. “A educação da infância no Brasil”. Imagens da Educação, Ponta Grossa, vol. 2, n. 1, fev., 2012. DOI: https://doi.org/10.4025/imagenseduc.v2i1.13712
SILVA, A. S.; MACEDO, E.; NUNES, J. S. As crianças e a rua: os contextos da infância urbana em Salvador. Salvador: EDUFBA, 2002.
SONI, A.; SOTO, M. R.; LYNCH, P. “A review of the factors affecting children with disabilities successful transition to early childhood care and primary education in sub-Saharan Africa”. Journal of Early Childhood Research, vol. 20, n. 1, jan., 2022. DOI: https://doi.org/10.1177/1476718X211035428
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais. São Paulo: Atlas, 1987. VINCENT, G.; LAHIRE, B.; THIN, D. “Sur l’“invention” de la forme scolaire”. Éducation et Sociétés, n. 2, 1994.
YOGMAN, M.; GARNER, A.; HUTCHINSON, J.; HIRSH-PASEK, K.; GOLINKOFF, R. “The Power of Play: A Pediatric Role in Enhancing Development in Young Children”. The American Academy of Pediatrics, vol. 142, n. 3, set., 2018. DOI: https://doi.org/10.1542/peds.2018-2058
ZEN, G.; MOLINARI, M. C.; NASCIMENTO, A. C. “As práticas cotidianas de leitura e escrita na escola como um direito da infância”. Revista Práxis Educacional, Vitória da Conquista, vol. 16, n. 41, Edição especial, 2020. DOI: https://doi.org/10.22481/praxisedu.v16i41.7263
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Noé Matias de Souza, Giovana Cristina Zen

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Direitos autorais (c) . 
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.