A NATURALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA MÍDIA: IMPACTOS CULTURAIS E A REPRODUÇÃO SIMBÓLICA DO FEMINICÍDIO
DOI:
https://doi.org/10.56238/bocav24n73-007Palavras-chave:
Violência de Gênero, Mídia e Representação, Feminicídio, Cultura PatriarcalResumo
A violência contra a mulher e seu extremo, o feminicídio, persistem como graves problemas sociais no Brasil, agravados pela naturalização simbólica desses atos na mídia. Este estudo analisa como as representações midiáticas contribuem para a banalização e reprodução da violência de gênero. Justifica-se pela necessidade de compreender os mecanismos discursivos que despolitizam o feminicídio, transformando-o em “crime passional”, e culpabilizam a vítima, minando a eficácia das políticas públicas. O objetivo principal é investigar os processos de naturalização da violência contra a mulher na mídia brasileira e seus impactos culturais. Adota-se uma abordagem qualitativa com revisão sistemática da literatura científica recente. Os resultados demonstram que a mídia frequentemente opera por meio de estratégias como a culpabilização da vítima, a espetacularização da dor e a reiteração de estereótipos de gênero, reforçando a lógica patriarcal. Conclui-se que a desconstrução dessas narrativas hegemônicas é uma condição essencial para a efetivação dos direitos das mulheres e para a construção de uma cultura de respeito e igualdade, exigindo uma comunicação mais ética e comprometida com a justiça social.
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