A NATURALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA MÍDIA: IMPACTOS CULTURAIS E A REPRODUÇÃO SIMBÓLICA DO FEMINICÍDIO

Autores/as

  • Rosângela Gomes Vaillant
  • Cléuma de Melo Barbosa
  • Jéfferson Balbino
  • Claudio Noel de Toni Junior

DOI:

https://doi.org/10.56238/bocav24n73-007

Palabras clave:

Violência de Gênero, Mídia e Representação, Feminicídio, Cultura Patriarcal

Resumen

A violência contra a mulher e seu extremo, o feminicídio, persistem como graves problemas sociais no Brasil, agravados pela naturalização simbólica desses atos na mídia. Este estudo analisa como as representações midiáticas contribuem para a banalização e reprodução da violência de gênero. Justifica-se pela necessidade de compreender os mecanismos discursivos que despolitizam o feminicídio, transformando-o em “crime passional”, e culpabilizam a vítima, minando a eficácia das políticas públicas. O objetivo principal é investigar os processos de naturalização da violência contra a mulher na mídia brasileira e seus impactos culturais. Adota-se uma abordagem qualitativa com revisão sistemática da literatura científica recente. Os resultados demonstram que a mídia frequentemente opera por meio de estratégias como a culpabilização da vítima, a espetacularização da dor e a reiteração de estereótipos de gênero, reforçando a lógica patriarcal. Conclui-se que a desconstrução dessas narrativas hegemônicas é uma condição essencial para a efetivação dos direitos das mulheres e para a construção de uma cultura de respeito e igualdade, exigindo uma comunicação mais ética e comprometida com a justiça social.

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Publicado

2025-12-26

Cómo citar

A NATURALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NA MÍDIA: IMPACTOS CULTURAIS E A REPRODUÇÃO SIMBÓLICA DO FEMINICÍDIO. Boletín de Coyuntura (BOCA), Boa Vista, v. 24, n. 73, p. e8029, 2025. DOI: 10.56238/bocav24n73-007. Disponível em: https://revistaboletimconjuntura.com.br/boca/article/view/8029. Acesso em: 29 jan. 2026.