EXISTÊNCIA EM RUÍNAS: REVISITAÇÃO E DESENGANO NO CONTO “PENÉLOPE”, DE DALTON TREVISAN
DOI:
https://doi.org/10.56238/bocav24n73-029Palabras clave:
Conto, Filosofia, Literatura Brasileira Contemporânea, Literatura Comparada, RuínasResumen
Esta pesquisa almeja proporcionar debates sobre os escombros de um determinado perfil de visão de mundo e de proposta de civilização que ainda prevalece em padrões comportamentais da sociedade moderna e contemporânea ocidental. Para tal, este trabalho efetua uma análise do conto “Penélope”, de Dalton Trevisan (1994), sob o viés narratológico, comparado e interdisciplinar, com o intuito de enfatizar alguns aspectos relacionados à estética das ruínas, à transformação literária de textos anteriores e à configuração contística do texto em questão. O conto relata a convivência de um casal de idosos que se mudam de uma cidade do interior para uma grande capital após o falecimento dos seus filhos. Mais especificamente, a narrativa desdobra os transtornos que são causados depois que o casal começa a receber regularmente uma carta anônima e sem endereço, formada com ofensas e provocações e sintetizada em duas palavras. No texto o idoso amplifica a sua tristeza, amargura e paranoia, e, após a chegada das cartas anônimas, desenvolve desconfiança e ciúme excessivos. Já a idosa se coloca numa situação de impotência e de revolta silenciosa diante das transformações do marido. Destaca-se na elaboração do conto: o impacto da releitura da lenda de Penélope; a imprevisibilidade proporcionada pela conjugação da atmosfera de jogos e segredos; o efeito de disparidade efetuado pelo contraste psicológico e físico entre as duas personagens principais; a manipulação do ritmo da narração possibilitada pela alternância entre a narração do conto e a expressão dos pensamentos das personagens; e o alcance do uso de composições textuais ora metafóricas, ora irônicas.
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