CRIMINALIZAÇÃO DE ATIVISTAS DE DIREITOS HUMANOS NO BRASIL: COLONIALIDADE E ESTADO PENAL
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.17103108Palavras-chave:
Colonialismo, Criminologia Crítica, Defensores dos Direitos Humanos, ViolênciaResumo
Este estudo investiga a criminalização de ativistas de direitos humanos no Brasil entre 2016 e 2024, examinando-a sob a ótica da criminologia crítica e da colonialidade penal. O objetivo é demonstrar como práticas estatais e jurídicas de controle social reproduzem mecanismos históricos de repressão contra sujeitos e movimentos que denunciam violações de direitos e resistem a projetos de exploração econômica, racial, de gênero e territorial. A metodologia empregada é qualitativa e dedutiva, baseada em revisão bibliográfica interdisciplinar e análise documental de relatórios nacionais e internacionais, incorporando referências em português, inglês e espanhol, especialmente da literatura crítica recente. Os resultados apontam que a criminalização não constitui fenômeno episódico ou disfuncional, mas sim estrutural, articulando agentes públicos e privados em um processo seletivo de repressão que fragiliza a democracia e intensifica desigualdades históricas. Conclui-se que a leitura da criminalização a partir da colonialidade permite compreender a persistência de práticas autoritárias e a continuidade do autocolonialismo estatal, ressaltando a urgência de fortalecer redes de proteção coletiva, mecanismos de memória e estratégias de resistência para a efetiva salvaguarda da atuação de defensoras e defensores de direitos humanos.
Referências
AMARAL, A. J.; FIEDLER, C. Z. “A criminalização dos movimentos sociais no Brasil: uma herança autoritária”. In: MARTÍN, L. et al. (orgs.). Os novos desafios do direito iberoamericano. Madri: La Casa del Abogado, 2018.
AOOD, M. H. L.; ABREU, W. F. “Formação de professores em direitos humanos: uma caracterização das teses e dissertações em educação no Brasil”. Boletim de Conjuntura (BOCA), vol. 16, n. 48, 2023.
BARRETTO, V. P. “Por uma ressignificação histórico-filosófica dos direitos humanos”. Revista Estudos Avançados, vol. 11, n. 30, 1997.
BRADLEY, A. S. “Human rights racism”. Harvard Human Rights Journal, vol. 32, 2019.
BRAGATO, F. F. Pessoa humana e direitos humanos na Constituição brasileira de 1988 a partir da perspectiva pós-colonial (Tese de Doutorado em Direito). São Leopoldo: Unisinos, 2009.
BUER, I. “Coloniality, just war and carceral injustice in Brazil”. E-International Relations [2021]. Disponível em: . Acesso em: 10/05/2025
BUER, I. “Interrogating peace in a violent democracy: a global South perspective”. Frontiers in Political Science, vol. 6, 2024.
BUER, I. “Rethinking peace and violence from the favelas”. Peacebuilding, vol. 12, n. 2, 2024.
CAROZZA, P. G. “From conquest to constitutions: retrieving a Latin American tradition of the idea of human rights”. Human Rights Quarterly, vol. 25, n. 2, 2003.
CARTA CAPITAL. “Bolsonaro em 25 frases polêmicas”. Revista Carta Capital [2018]. Disponível em: . Acesso em: 06/06/2025.
CBDDH - Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos. Vidas em luta: criminalização e violência contra defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil. Curitiba: Terra de Direitos, 2017. Disponível em: . Acesso em: 12/05/2025.
CHERSONI, F. A. “Agromilícias: conceito, características e a continuidade público-privada na violência contra camponeses”. Revista da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul, vol. 2, n. 35, 2024.
CHERSONI, F. A. et al. “A criminalização dos movimentos populares e a repressão violenta sobre manifestações: o caso do massacre dos professore/as em Curitiba - PR no dia 29 de abril de 2015”. InSURgência: Revista de Direitos e Movimentos Sociais, vol. 9, n. 1, 2023.
CPT - Comissão Pastoral da Terra. Conflitos no Campo Brasil 2016. Goiânia: CPT, 2017. Disponível em: . Acesso em: 12/03/2025.
CPT - Comissão Pastoral da Terra. Conflitos no Campo Brasil 2017. Goiânia: CPT, 2018. Disponível em: . Acesso em: 12/03/2025.
CPT - Comissão Pastoral da Terra. Conflitos no Campo Brasil 2020. Goiânia: CPT, 2021. Disponível em: . Acesso em: 12/03/2025.
CPT - Comissão Pastoral da Terra. Conflitos no Campo Brasil 2021. Goiânia: CPT, 2022. Disponível em: . Acesso em: 12/03/2025.
DONNELLY, J. Universal human rights in theory and practice. Ithaca: Cornell University Press, 2003.
FALK, R. A. Human rights horizons: the pursuit of justice in a globalizing world. New York: Routledge, 2000.
FANON, F. Em defesa da Revolução Africana: Escritos Políticos. Feira de Santana: Adandé, 2022.
FRONT LINE DEFENDERS. The International Foundation for the Protection of Human Rights Defenders: global analysis 2019. Dublin: Front Line Defenders, 2020. Disponível em: . Acesso em: 12/05/2025.
GALLARDO, H. “Violencia y terror en política: elementos para su consideración ética”. Pasos, vol. 19, 1988.
GAUER, R. M. C. (org.). Criminologia e sistemas jurídico-penais contemporâneos. Porto Alegre: 2008.
GLENDON, M. “The forgotten crucible: the Latin American influence on the universal human rights idea”. Harvard Human Rights Journal, vol. 16, 2003.
GLOBAL WITNESS. “Standing firm: The land and environmental defenders on the frontlines of the climate crisis”. Global Witness [2023]. Disponível em: . Acesso em: 24/05/2025.
HARDWICK, N. “Theoretically justifying human rights: a critical analysis”. E-International Relations [2012]. Disponível em: . Acesso em: 10/05/2025.
JUSTIÇA GLOBAL; TERRA DE DIREITOS. Na linha de frente: violência contra defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil: 2019-2022. Curitiba: Justiça Global, 2023.
LEWIS, H. “Reflections on BlackCrit theory: human rights”. Villanova Law Review, vol. 45, n. 5, 2000.
MBAYA, E. “Gênese, evolução e universalidade dos direitos humanos frente à diversidade de culturas”. Estudos Avançados, vol. 11, n. 30, 1997.
MUTUA, M. “Critical race theory and international law: the view of an insider-outsider”. Villanova Law Review, vol. 45, n. 5, 2000.
OLMO, R. A América Latina e sua Criminologia. Rio de Janeiro: Editora Revan, 2004.
PIOVESAN, F. “Direitos humanos: desafios e perspectivas contemporâneas”. Revista do Tribunal Superior do Trabalho, vol. 75, n. 1, 2009.
PROTECTION INTERNATIONAL. Criminalisation of human rights defenders: Criminalisation Series. Brussels: Protection Internation, 2012. Disponível em: . Acesso em: 10/08/2025
QUADRI, S. S. et al. “The criminalization of human rights defenders: trends, tactics and international responses”. ResearchGate [2025]. Disponível em: . Acesso em: 10/09/2025
QUIJANO, A. “Coloniality of power, Eurocentrism, and Latin America”. International Sociology, vol. 15, n. 2, 2000.
SEN, A. “Elements of a theory of human rights”. Philosophy and Public Affairs, vol. 32, n. 4, 2004.
SERRA, J. S. O direito penal como instrumento de controle social: uma análise crítica à luz do racismo estrutural. São Paulo: Editora Cortez, 2014.
SILVA FILHO, J. C. M. “Criminologia e alteridade: o problema da criminalização dos Movimentos Sociais no Brasil”. In: GAUER, Ruth Maria Chittó (Org.). Criminologia e sistemas jurídico-penais contemporâneos II. Porto Alegre: Editora PUCRS, 2011.
SILVA, A. L. et al. (coords.). Na linha de frente: violência contra defensoras e defensores de direitos humanos no Brasil (2019 a 2022). Curitiba: Justiça Global, 2023.
SILVA, I. G. “Estado, ideologia e criminalização dos movimentos sociais no Brasil”. Revista de Políticas Públicas, n. 12, 2014.
WOLKMER, A. C.; CHERSONI, F. A.; FERRAZZO, D. “Nature and human rights of indigenous communities in the Amazon: a cartography of violence under Brazilian governments”. Beijing Law Review, vol. 15, n. 4, 2024.
ZAFFARONI, E. R. Colonização punitiva e totalitarismo financeiro: a criminologia do ser-aqui. Rio de Janeiro: Da Vinci Livros, 2021.
ZAFFARONI, E. R. Em busca das penas perdidas. Rio de Janeiro: Editora Revan, 2001.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Nayara Augusto Felizardo, Matheus Ferrari França Carreira, Felipe de Araújo Chersoni

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Direitos autorais (c) . 
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.