OS DESEJOS PARA A VIDA: O QUE DIZEM OS JOVENS E ADOLESCENTES DO ENSINO MÉDIO DE ESCOLAS DE PERIFERIA
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.10474104Palavras-chave:
Atividade de Estudo, Desejos e Necessidades, Ensino Médio, Jovens e AdolescentesResumo
O presente trabalho objetiva interpretar os desejos para a vida, de jovens e adolescentes, verificando suas relações contraditórias com a atividade de estudo vivenciada no Ensino Médio em escolas de periferia. A fundamentação teórica para as discussões se pauta na Psicologia Histórico-Cultural e na Teoria da Atividade, as quais compreendem os desejos como reguladores e motivadores do aparecimento e desaparecimento de necessidades. Estas, por sua vez, podem gerar o motivo que impulsiona a atividade humana. Os dados foram coletados em 2018, em duas escolas de uma cidade de Mato Grosso do Sul e em duas escolas de uma cidade de Rondônia. Foi utilizado os resultados obtidos a partir do questionário escrito, o qual teve como abrangência 335 estudantes que frequentavam do 1º ao 3º ano do Ensino Médio. Os desejos apresentados foram classificados em 13 eixos, desses, os mais citados estavam relacionados a “faculdade e/ou trabalho futuro” e o menos citado direcionado a obtenção de conhecimentos. De forma geral, compreende-se que se trata de estudantes da classe trabalhadora que desejam principalmente um emprego e/ou uma faculdade que direcione para um emprego (23%) e que com o seu salário seja possível manter uma estabilidade financeira (7%) capaz de proporcionar a compra de uma casa e de um carro (bens materiais - 12%), como também possuir bem-estar pessoal e social (15%). As particularidades da atividade de estudo oferecida nas escolas de periferia os direcionam para a adaptação ao mercado de trabalho flexível, o qual necessita de indivíduos com capacidades socioemocionais de sobreviver as condições precárias de empregabilidade, não ao trabalho como categoria constitutiva do gênero humano/ser social.
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