PERCEPÇÕES DE LICENCIANDOS SOBRE O ENSINO DE MATEMÁTICA À LUZ DA FORMAÇÃO INICIAL COM OFICINAS PRÁTICAS
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.10431608Palabras clave:
Educação Matemática, Formação Inicial Docente, Licenciandos, Oficinas Práticas, PedagogiaResumen
A presente pesquisa tem por fundamentação obter as percepções dos licenciandos sobre o ensino da Matemática à luz da formação inicial com oficinas práticas realizadas na Universidade de Brasília (UnB), ofertada para os graduandos dos cursos de Pedagogia e Matemática. A investigação, de abordagem qualitativa e de tipo exploratório, utilizou como principal instrumento o questionário, durante a disciplina Educação Matemática, na formação inicial docente. Os licenciandos foram questionados acerca de suas lacunas referentes aos conhecimentos matemáticos e a contribuição das reflexões propostas no contexto das oficinas quanto à emancipação dos estudantes que aprenderão Matemática a partir de sua atuação docente. Os dados foram interpretados a partir da análise de conteúdo de Bardin (2016) com evidência da necessária construção curricular ancorada na práxis emancipadora com foco no aluno e em suas aprendizagens, centrado no desenvolvimento da criatividade. Os eixos de investigação foram situados na formação inicial dos futuros professores que ensinarão Matemática, nas aprendizagens que obtiveram durante as oficinas e nas suas percepções acerca da imprescindibilidade da Educação Matemática para a docência. Os resultados evidenciaram que a Educação Matemática por meio das oficinas pedagógicas torna o conhecimento acessível pois, a partir de uma perspectiva lúdica e com apoio de recursos didáticos os licenciandos podem participar e compreender a importância de ensinar com o foco nas aprendizagens. Ademais, podem contribuir para uma reflexão crítica sobre as formações em Educação Matemática, destacando a importância de abordagens práticas e experiências tangíveis na preparação de professores para os desafios do ambiente educacional contemporâneo. Contudo, a pesquisa avultou a insuficiência do atual modelo de formação inicial e continuada do docente, no contexto do ensino da Matemática. Nessa perspectiva, as formações devem caminhar no sentido de favorecer a constituição do professor que atuará com estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. É preciso atender às necessidades atuais dos graduandos, com maior tempo para sua formação e com um currículo voltado para a práxis emancipadora com foco no aluno e em suas aprendizagens.
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